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MITO DOS "DOG-DAYS" DE VERÃO
Jim Porter Palm Bay, FL
Email do Jim: jporter@jimporter.org
(Nota do autor: Não há razão para que a pesca seja difícil no Verão.
"Ar" aquecido não manda o bass para o fundo. Eles se alimentam melhor
no Verão do que em qualquer outra época. Normalmente, apenas os pescadores
ficam mais "devagar". Leia e pondere esta afirmação. Vamos discuti-la).
Com os dias extremamente quentes e úmidos do Verão, normalmente
presenciamos uma diminuição da atividade dos pescadores. Há poucos pescadores
nas águas e os que se aventuram preferem jornadas mais curtas, principalmente
nos períodos mais frescos do dia, de manhã cedo/final da tarde. Juntamente
com esta natural rejeição das pessoas aos desconfortos, veio a concepção
errônea de que a chance de sucesso da pescaria durante os meses de Verão
estaria entre "fraca" e "impossível". Possivelmente, a relação entre
tempo quente e pescarias fracas é simplesmente uma desculpa bem pensada
para ficar dentro de casa, com o ar condicionado ligado, assistindo
aos jogos de beisebol. Qualquer que seja a razão, é hora de desfazer
os mitos dos supostos "dog-days" do Verão.
Mito #1: Bass pára de comer na época de calor.
Este é o mal-entendido mais comum com relação ao comportamento
do peixe e também o que pode ser mais fácil de ser explicado logicamente.
Bass, sendo um peixe, são criaturas da natureza de sangue frio. Assim
sendo, eles tendem a ajustar as suas temperaturas corporais às do ambiente
em redor. Seus corpos admitem faixas de temperaturas máximas e mínimas,
dentro das quais podem sobreviver. A temperatura tem um efeito muito
grande sobre o bass: ela regula a velocidade dos seus processos corporais
(isto é, taxa de metabolismo). Por exemplo, a taxa de dispêndio de energia
do bass é maior, à medida que a temperatura do meio-ambiente (e, portanto,
do seu corpo) sobe, o que requer mais e mais comida a ser digerida e
convertida em energia. Este fato simples mostra que é fisicamente impossível
para o peixe parar de comer durante a época de calor. Na verdade, o
bass deveria comer mais durante os meses de verão do que nos demais
meses do ano.
Mito # 2: Na época de calor, o bass sempre vai
para águas profundas.
Embora
esta afirmação possa parecer lógica à primeira vista, ela é na verdade
uma dupla inverdade. Em primeiro lugar, devemos entender que "profundo"
é um termo relativo. Quando a água é excepcionalmente transparente,
o bass sempre vai se colocar a profundidades maiores do que em represas
de águas túrbidas. O bass de água transparente pode, normalmente, permanecer
a 20-45 pés (6,0 a 13,5 metros, n.t.). Assim, água "profunda" deve ser
algo acima dessas profundidades.
A maioria dos largemouth bass, num típico reservatório
do Sul ou Meio-Oeste, tende a passar os seus dias e noites na faixa
de 10-18 pés (3,0 a 5,4 metros, n.t.), com incursões ocasionais às áreas
rasas e com concentração de comida para se alimentar. O bass normalmente
não vai mais fundo do que isso durante os meses de Verão. E, normalmente,
não se considera 10-18 pés (3 a 5,4 metros, n.t.) como água "profunda".
O fato é que os bass sempre serão achados nos locais mais profundos
durante os períodos mais frios do Inverno, quando os referidos locais
são mais quentes do que na meia-água e nas zonas rasas!!
O que nos leva - pescadores - a pensar erradamente que
o bass foi excepcionalmente fundo é na verdade um resultado de uma mudança
sazonal recente. Para chegar ao Verão, o bass teve que passar pela Primavera.
A Primavera, com o seu ritual da desova, congregou a maioria dos bass
em água excepcionalmente rasa, onde são fáceis de serem achados e capturados.
Quando eles desaparecem repentinamente das áreas abrigadas no raso,
nós, sem querer, usamos a desculpa de que eles devem ter sumido para
zonas profundas. Na verdade, a maioria dos basses pode ser achada onde
o seu barco ficava durante as pescarias da Primavera. Em segundo lugar,
escapar do calor não é um problema para um bass e realmente não faz
parte do cenário de pesca no Verão. Estudos (favor verificar na tabela
anexa) mostraram que, quando a temperatura superficial de um lago está
em torno de 90º F (32,2º C, n.t.), a água a 10-12 pés (3,0 a 3,6 metros,
n.t.) estará na faixa dos 70º F (21,1º C, n.t.).
Você pode comprovar isto por si mesmo, mergulhando de
um píer e notando como a água é fria no fundo. É desnecessário dizermos
mais sobre este mal-entendido.
Mito #3: O bass tem preferências por certas temperaturas
e sempre aderirá a elas.
Excetuando uma faixa específica de temperaturas necessária
para a incubação e eclosão da desova, um bass normalmente parece desconsiderar
fatores relacionados com a temperatura em favor de permanecer perto
de uma fonte de comida. Na verdade, alguns relatórios de estudos científicos
que possuo indicam que o largemouth-bass apresenta o uso mais eficiente
da sua comida quando a temperatura está na faixa de 78-85º F (25,5-29,4º
C, n.t.). Este indicador de eficiência é baseado na percentagem de comida
digerida destinada ao crescimento do corpo, após o atendimento das necessidades
básicas de manutenção da vida. De fato, verificou-se que o pico da eficiência
ocorre a aproximadamente 82º F (27,7º C, n.t.).
O que isto tende a indicar é que o bass estaria muito
mais confortável no que nós, pescadores, tendemos a descrever como água
"morna". E, analisando a tabela acima, nós poderíamos supor que ele
pode facilmente tolerar zonas rasas durante o Verão. O que, na verdade,
pode ser o caso, em relação à profundidade de Verão do bass, é que a
fonte de comida (normalmente peixinhos e camarões) não se adaptam bem
à água morna, e prefira profundidades mais frias. Conseqüentemente,
o bass segue a fonte de comida quando as águas se aquecem e ela sai
das zonas rasas. Um grande ditado da pesca de bass afirma que "Pegar
peixe é fácil; achá-los é a parte difícil". A sabedoria dessa afirmação
se mantém, independentemente da estação, das águas pescadas, do pescador,
e de todo o equipamento de primeira existente no mundo. Entretanto,
ele adquire mais significância para o entendimento ao tentarmos superar
os impregnados erros de concepção sobre a pesca em tempo quente que
fomos incorporando ao longo de anos. Achar bass no Verão é, como em
outras épocas do ano, uma questão de entender o mundo do bass e como
ele reage ao seu ambiente. Com a subida da temperatura e o alto metabolismo
do corpo, os basses ficam muito ativos, movem-se muito e comem muito.
Você pode ficar sobre uma boa estrutura, arremessar uma
isca, e pegar dois ou três peixes rapidamente. Mas, repentinamente,
tudo acaba. E, na próxima vez que você tentar pescar no mesmo lugar,
você pode não achar nenhum peixe. Bem, eis aqui o que provavelmente
está acontecendo. No Verão, os basses se encardumam fortemente e quase
sempre se relacionam a uma estrutura. (A única exceção pode ser quando
os cardumes de forrageiros movem-se para águas abertas sobre zonas mais
profundas e os basses seguem atrás. Normalmente notamos esta situação
pelos ataques aos forrageiros na superfície).
O cardume de Verão estará ativo e um tanto ou quanto frouxo
e disperso, pois todos estão tentando comer de maneira quase contínua.
A estrutura que estiver sendo usada, portanto, precisa ser relativamente
grande para poder suportar a dispersão de todo o grupo. Este é o ponto-chave
para localizar, consistentemente, cardumes de basses no tempo quente.
Podemos ainda achar peixes isolados e pequenos grupos em estruturas
menores e locais com abrigos. Mas, para achar muitos basses, normalmente
precisamos de estruturas grandes. O pescador precisa reconhecer que,
se alguns basses forem capturados e a ação termina, o restante do cardume
pode estar disperso através e ao longo do restante da estrutura.
A mais perfeita estrutura de Verão é um drop de canal
de córrego ou rio, pois ele atende a três requisitos primários. Primeiro,
ele está próximo de água profunda, que sempre é um grande fator no posicionamento
do bass. Segundo, é uma grande estrutura que permite ao cardume dispersar-se
ao longo da sua trajetória. E, finalmente, os canais normalmente possuem
um certo grau de correnteza, induzido naturalmente ou por ventos. Correnteza
é importante na pesca do bass no calor, pois previne a estratificação
por temperatura e níveis de oxigênio, resfria um pouco e adiciona oxigênio
à água.
Outros bons locais são grandes ilhas submersas, longas
pontas submersas e leitos de estradas. Novamente, nós deveríamos procurar
estruturas próximas a água profunda e com tamanho suficiente para suportar
um grande e disperso cardume de basses se alimentando ativamente. Os
leitores que já pescaram águas sujeitas a marés ou rios com uma certa
regularidade logo reconhecem os benefícios da correnteza. A mistura
das águas que se movem continuamente previne a estratificação por temperatura
a tal ponto que há pouca variação de profundidade sazonal na localização
dos basses. Em águas rasas, infestadas de vegetação subaquática, alguns
basses de Verão se relacionarão com estruturas, se as águas forem suficientemente
profundas. Entretanto, a densa vegetação pode indicar onde a maioria
ficará.
(Biólogos da Flórida relatam que levantamentos feitos
mostram que cerca de dois terços dos basses estarão em zonas com abrigos
densos e o terço restante em águas abertas. Isto pode ser considerada
uma condição normal, SE a vegetação aquática estiver viva e vigorosa.Na
verdade, a vegetação morta absorve oxigênio no processo de decomposição.)
O abrigo denso, mesmo em áreas rasas, é confortável devido
à sombra e à rica produção de oxigênio da vida vegetal. Um subproduto
da fotossíntese do oxigênio é o efeito de resfriamento, o que pode fazer
com que zonas rasas com vegetação fiquem mais frias que zonas mais profundas,
em águas abertas. Ao procurar pelo bass nestas águas rasas, os dois
ingredientes-chave são, por prioridade: o mais denso abrigo e a água
mais profunda disponível. Relembrando que águas mornas resultam em taxas
de metabolismo altas nos basses e um aumento na demanda por comida,
poderíamos suspeitar que a competição por comida seria alta durante
os meses de Verão. Consequentemente, escolheríamos uma isca ativa para
atrair os peixes ativos. Basicamente, isto descreve um crankbait com
barbela longa recolhido rapidamente.
De fato, este tipo de isca provou ser o mais efetivo método
para capturar grandes quantidades de largemouth-basses durante o calor
de meados do Verão. O único requisito é que o pescador coloque a isca
onde está o peixe. Ao selecionar a isca com o expresso propósito de
operá-la numa certa profundidade, como exigida pela estrutura a ser
pescada, é o mais importante critério para o processo de tomada de decisão
do pescador. Se a profundidade a ser pescada está além daquela que um
crankbait possa ser apresentado e controlado acuradamente, uma minhoca
plástica é aceitável, mas deveria ser pescada rápida e erraticamente.
Lembre-se, durante o tempo quente, uma isca pescada rapidamente
é sempre muito mais produtiva que uma apresentada lentamente. Mais,
seremos capazes de fazer mais arremessos durante o dia. Todo arremesso
é um potencial "ten-pounder" (bass de 10 libras, cerca de 4,5 kg, n.t.).
Assim, só porque o tempo é um pouco desconfortável, não fique em casa,
com o ar-condicionado ligado e mal-humorado.
Os basses estão comendo como
nunca durante o período quente do Verão. Vá alimentá-los.
Notas da tradução:
1. Tradução: Eduardo K. Seto - email: eks.fish@uol.com.br
- Dez/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de
forma geral, é assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados
pelos pescadores de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.jimporter.org/articles/article13.shtml