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Mitos sobre o Black-Bass
- Perguntas e respostas Por Ralph Manns
Vamos fazer um teste.
Anote rapidamente se você acha que as 22 afirmações seguintes são verdadeiras
ou falsas.
1. O bass prefere
a água a 72o F (cerca de 22º C, n.t.).
2. O bass é mais
ativo com água a 72o F (cerca de 22º C, n.t.).
3. O bass vai para
águas profundas no verão para evitar a água morna.
4. A água morna não
retém oxigênio suficiente para o bass.
5. O bass é um predador
irresistível e voraz que mata a presa apenas por diversão.
6. O bass procura
níveis ótimos de oxigênio, pH, temperatura, abrigo e concentrações de
comida.
7. O bass rotineiramente
sai dos santuários em águas profundas para os locais rasos para se alimentar.
8. O bass é um predador
de EMBOSCADA.
9. O bass usa somente
suas linhas laterais para se alimentar no escuro.
10. A vegetação aquática
provê sombra fresca.
11. A pesca do bass
em reservatório declina inevitavelmente.
12. O bass fica suspenso
em águas profundas sombreadas.
13. 90% dos bass são
pegos por 10% dos pescadores.
14. 90% dos bass estão
atrás dos pescadores de margens (shoreline bassers, n.t.).
15. O bass é "caseiro".
16. Bass velho e grande
é solitário.
17. O bass teme e
evita cheiros humanos, particularmente L-serine.
18. O sol fere seus
olhos, assim o bass precisa ficar na penumbra.
19. O bass ouve a
conversa dos pescadores.
20. O bass segue cardumes
de forrageiros por longas distâncias.
21. Os forrageiros
são "soprados" pelo vento para as margens.
22. O bass não consegue
se lembrar de nada por mais do que 15 minutos aproximadamente. ...........................................................................................................................................
A 22 afirmações envolvem mitos sobre o bass, o que, em minha opinião, fazem
com que sejam todos falsos. Cada afirmação é totalmente errada ou enganosa
o suficiente para esconder a verdade real. Em muitos casos, os pescadores
poderiam rejeitar estes mitos simplesmente comparando-os com as suas próprias
experiências de pesca. Eu respondi a muitas destas perguntas em várias
discussões e artigos no BFHP (Bass Fishing Home Page, n.t.), assim, na
verdade, posso estar "ensinando o padre-nosso ao vigário". Vamos analisar
cada afirmação em detalhes para ver o que está errado, na minha opinião
(IMO - In My Opinion, n.t.).
1. O bass prefere
a água a 72º F (cerca de 22º C, n.t.)? Este é o mais persistente, o mais
repetido e o mais enganador mito da literatura sobre o bass. Numerosos
testes científicos mostram que o bass, dada uma temperatura a escolher,
sem nenhuma outra opção conflitante, escolhe viver em água entre 76º F
e 86º F (24,5º C a 30º C aproximadamente, n.t.), e toleram temperaturas
até 95º F (aproximadamente 35º C, n.t.). O black-bass requer aproximadamente
15 dias para digerir completamente um peixe pequeno na água a 45º F (7,2º
C, n.t.), mas pode digerir a mesma comida em um dia, a 76-86º F. Ele também
nada mais rapidamente, cresce mais rapidamente, e ataca mais presas em
águas neste intervalo de temperatura. Daí porque ele seleciona (prefere)
esse intervalo de temperatura, se lhe for dada uma livre escolha. Smallmouth,
Largemouth, Spotted, Guadalupe e as outras espécies menores do black-bass
aparentemente têm metabolismos e temperaturas preferidas similares. Quando
quaisquer um deles são encontrados em locais mais profundos ou águas mais
frias é porque bocas menores, diferentes habilidades para se alimentar,
água mais transparente, competição com Largemouths, pike, stripers, etc.
ou ausência de suprimento adequado de forragem ou água morna forçam-nos
a se afastar das temperaturas ótimas. O bass em águas típicas, dentro
do intervalo de 60-95º F (15,5º C a 35ºC), modifica facilmente suas necessidades
de temperatura até onde for necessário para encontrar comida.
2. O bass é mais ativo
com água a 72o F (cerca de 22º C, n.t.)? Primavera e Outono tradicionalmente
produzem as mais fáceis (melhores?) pescarias de bass. Então, o bass parece
estar mais ativo. A maioria dos lagos com bass ultrapassam rotineiramente
72º F nestas estações, assim muitos pescadores deram o crédito para a
temperatura. Mas a estação e as suas condições, não a temperatura específica,
criaram a atividade. PRIMAVERA - O bass usou suas reservas de gordura
durante o inverno. Estão com fome e precisam do máximo de comida antes,
durante e imediatamente após a desova. Mas poucas presas pequenas estão
disponíveis. Os forrageiros ainda têm que desovar e a maioria daqueles
mais fáceis de capturar já foram comidos. O resultado é que o bass precisar
permanecer ativo por períodos mais longos para conseguir o alimento suficiente.
Normalmente, somente 20 a 40% dos bass têm comida em seus estômagos. Por
permanecerem ativos por períodos mais longos de tempo é mais provável
encontrarem um pescador e serem fisgados. VERÃO - Agora a forragem é abundante
e em tamanho adequado. É mais fácil e rápido comer. 50 a 70% dos bass
têm comida no estômado, mesmo que a digestão demore menos que um dia.
Os bass estão muitos ativos quando se alimentam, mas mais difíceis de
pegar ao longo do dia porque estão inativos a maior parte do tempo. Além
disso, a luz e a transparência da água tendem a limitar a alimentação
ao alvorecer, ao entardecer e à noite, o que torna mais difícil, para
alguns pescadores, localizar o peixe. OUTONO - Aumento de chuvas, influxos
de água, nutrientes e água mais turva se combinam com um suprimento reduzido
de forragem para mudar o ambiente do bass. A maioria da forragem pequena,
fácil de pegar, foi comida ou cresceu e ficou mais rápida e esperta. Novamente,
somente 20 a 40% dos bass têm comida em seus estômagos, o bass está ativo
por períodos de tempo mais longos e então é mais provável estar comendo
em locais rasos quando os pescadores estiverem lá. Estas mudanças aparentes
na "atividade", uma palavra melhor seria "pescabilidade" (catchability,
n.t.), fazem parecer que os bass são mais ativos a 72º F, mas, na verdade,
a melhora da "pescabilidade" é uma resposta mais adequada aos fatores
sazonais do que simplesmente a temperatura.
3. O bass vai para
águas profundas no verão para evitar a água morna. Quando os bass vão
para o fundo no verão, eles o fazem por três razões: (1.) estão retornando
para suas profundidade usuais, (2.) procuram condições melhores de luz
e de visibilidade para predação, ou (3.) estão seguindo a forragem que
se moveu para o fundo para achar mais zôo-plâncton. A luz menos brilhante
favorece predadores. A luz brilhante favorece a forragem. É difícil se
aproximar furtivamente de algo que o vê mais claramente. Em muitos lagos
e reservatórios, a água fica mais transparente no meio do verão. Os peixes
de água rasa caçam principalmente quando há pouca luz ou no escuro. O
bass tem menos razão para nadar para locais alguns pés mais rasos quando
se alimentam durante o verão. Nós todos já pegamos bass durante o período
mais quente de agosto (fevereiro, no nosso caso, n.t.) poucas polegadas
abaixo da superfície em água turva. Obviamente, a transparência da água,
não a temperatura, determina a profundidade do bass. Nos lagos com usinas
termoelétricas (power-plant, n.t.), com temperaturas superficiais acima
de 90º F (32ºC, n.t.), os bass muitas vezes se alimentam na superfície,
se e quando houver forragem abundante perto da superfície. Evitar o calor
não é grande fator para o bass. Ele até nadará, mesmo que momentaneamente,
em água quente o bastante para cozinhá-lo, se for necessário para capturar
facilmente uma presa.
4. A água morna não
retém oxigênio suficiente para o bass? Esta idéia pode não ser um mito
ainda, mas continua a ser divulgada por alguns pescadores profissionais,
assim pode transformar-se em um. Na realidade, a água a 95º F (35º C,
n.t.) ainda retém 7 ppm de oxigênio dissolvido. E o bass não fica doente
em 5 ppm e não se afasta até que o oxigênio dissolvido caia abaixo de
3 ppm. Além disso, o oxigênio entra na água na superfície e da vegetação
que necessita estar perto da superfície para receber luz. Se baixa taxa
de oxigênio é um problema na superfície, as condições geralmente são piores
em águas mais profundas. O bass geralmente não vai para as profundezas
para conseguir mais oxigênio.
5. O bass é um predador
irresistível e voraz que mata a presa apenas por diversão? Os escritores
gostam de glorificar e tornam o bass durão e desafiador. Mas o bass é
meramente um típico predador. Captura a comida quando pode. Frequentemente,
como observado anteriormente, ele fica sem comer. As presas são boas em
iludi-lo, e a vida não é fácil. Se a comida for abundante e fácil de capturar,
o bass fica gordo e corpulento mas 30% a 50% ainda ficam um dia ou mais
sem comida, dependendo da estação. Alguns pulam refeições. O bass não
é uma perfeita máquina de comer. As refeições não são garantidas lá. Em
conseqüência usa as estratégias de vida que conservam energia, geralmente
alimentando-se ativamente somente quando for provável ser bem sucedido.
Espera no status inativo até que as possibilidades de comer sejam boas.
Em raras épocas em que a forragem fica abundante e vulnerável, parece
que o bass se empaturra, mas é somente porque não desenvolveram nenhum
mecanismo para lhe dizer que está cheio e para desligar o impulso de comer
tão logo ele estiver cheio. Os animais somente desenvolvem comportamentos
instintivos quando as circunstâncias são rotineiras. Comida em excesso
é raro para o bass.
6. O bass procura
níveis ótimos de oxigênio, pH, temperatura, abrigo e concentrações de
comida.? Eu tratei desse assunto em um artigo na BFHP. As pessoas que
vendem medidores, sensores, e outros dispositivos parecidos gostam de
fazer parecer que os bass pode ser encontrados ao se localizar algum conjunto
ideal ou "preferido" de condições. E às vezes ele pode ser localizado.
Mas não há nenhuma evidência de que os bass sejam para-normais. Eles só
conhecem aquilo que experimentaram e podem se recordar. Não têm nenhuma
maneira de saber que as coisas são melhores em algum outro lugar a menos
que forem lá. Peixes errantes podem parar se encontrarem melhores condições,
mas a maioria dos bass não sai à procura de melhores condições até que,
ou a menos que, as coisas fiquem insatisfatórias no lugar onde estão.
O bass se move quando as condições ficam intoleráveis: o pH se torna ácido
demais, o oxigênio cai abaixo de 3 ppm, a água se aquece acima de 95º
F, ou sobrou tão pouca forragem em sua área que o bass passa fome. O bass
interrompe a procura assim que as condições atendam às suas exigências
mínimas. É parte de sua necessidade conservar energia. Se não fizer isto,
ele se moveria continuamente, sempre procurando por algum lugar melhor.
Condições ótimas concentram o bass que já está nessa área e que encontra
as condições durante os movimentos locais normais. Shad (pequenos peixes,
n.t.) e entrada de água fresca somente atraem os peixes que já estão próximos.
Bass da barragem fica perto da barragem, a menos que ele esteja morrendo
de fome. O oxigênio, o pH, a luz, e outros indicadores podem ser úteis
para identificar as condições extremas que impeçam que o bass permaneça
em uma área, mas eles, geralmente, não encontrarão peixe para você. Entretanto,
uma parede de condições ruins concentra peixes ao obstruir a movimentação
e forçar o bass a ficar longe das condições ruins. Assim as camadas de
claridade da água, camadas de pH ruim, e os thermoclines podem, às vezes,
concentrar peixes de um determinado local.
7. O bass rotineiramente
sai dos santuários em águas profundas para os locais rasos para se alimentar?
Os estudos de rastreamento (tracking, n.t.) e mergulhos mostraram repetidamente
que o bass tende a permanecer na mesma profundidade hora após hora e dia
após dia. Mais ainda, algum bass sempre é encontrado em quase todas as
profundidades habitáveis num dado tempo. Os movimentos são basicamente
horizontais, não verticais. Na verdade, o bass faz pequenos deslocamentos
para cima e para baixo e, momentaneamente, dará arrancadas para cima,
por vários pés, para atacar a presa, mas as mudanças na pressão na bexiga
natatória impedem o movimento diário, de 15 pés (cerca de 4,5 metros,
n.t.) ou o mais, de ida e volta aos locais rasos. O bass interrrompe os
movimentos verticais tão logo sente dor ou perde o controle de seu flutuabilidade.
Um bass a 10 pés (cerca de 3 metros, n.t.) pode alimentar-se continuamente
perto da superfície. Um bass a vinte pés só pode dar uma arrancada de
ida e volta à superfície, enquanto um bass a mais de 20 pés não pode se
mover para cima e permanecer perto da superfície sem ter problemas na
bexiga natatória. Quando algum bass é captura na faixa de 5 a 10 pés (1,5
a 3 metros, n.t.) e mais tarde é capturado em uma profundidade de 30 pés,
é mais provável que dois grupos de bass tenham sido encontrados do que
um grupo tenha mudado a sua profundidade. As migrações de bass de água
profunda para locais rasos e, vive-versa, são eventos sazonais, não diários.
8. O bass é um predador
de EMBOSCADA? A palavra emboscada é usada para descrever como o bass se
alimenta, com a exclusão da maioria de outros termos, em quase toda revista
de pesca e programa de TV. Não obstante, emboscada é uma descrição fraca
do modo como o bass ativo se alimenta. O bass se movimenta quando se alimenta
ativamente. Não se esconde e espera a presa. Você mesmo pode ver isto
repetidamente na maioria dos vídeos subaquáticos sobre o bass. Os cientistas
(Dr. Edmund Hobson e outros) descrevem cinco táticas diferentes usadas
por peixes predadores e fornecem exemplos: 1. Emboscada - Sculpin, halibut
2. Aproximação silenciosa (Stalk, n.t.) - Barracuda 3. Condicionamento
(Habituation, n.t.) - Garoupa 4. Cerco (Run-down, n.t.) - Atum 5. Generalista
(usar todas as táticas apropriadas) - pike e black-bass Os bass enquadram-se
melhor na CATEGORIA GENERALISTA, os corpos e cores dos bass são projetados
para caçar em movimento na busca da presa e são mal projetados para emboscar.
Eles não são detalhadamente camuflados, não se parecem com vegetação ou
o fundo, e são bons nadadores (diferentemente dos verdadeiros especialistas
em emboscada - halibut, anglerfish ou sculpin). Os bass em grandes cardumes
ou agregações ativos usam a tática do cerco (run-down, n.t.). Os grupos
menores movem-se, parando e nadando, ao longo ou sob os limites dos abrigos,
aproximando-se furtivamente, dando botes, e cercando presas. Os bass neutros
suspendem ou flutuam lentamente em águas abertas perto de concentrações
de presas, condicionando a presa à sua presença até que uma presa descuidada
deixa o bass chegar muito perto. Finalmente, um bass inativo, ou digerindo
uma presa, flutua ou suspende dentro de abrigo do tipo caverna, ou sob
um abrigo, e fica olhando para a área aberta: alimentação a partir do
abrigo de presa que passou perto demais. Esta é o único momento em que
pode ser considerado que o bass usa táticas de emboscada. Diversos estudos
mostraram que, dentro de abrigos, os bass são caçadores ineficazes. Abrigo
atrapalha o movimento, diminui as áreas de ataque, e esconde os alvos.
Se for forçado a caçar em abrigos pesados, usando somente a tática da
emboscada, a maioria dos bass morreria de fome. O abrigo é chamado de
"abrigo" porque é um bom lugar para a presa se esconder e escapar dos
peixes maiores como o bass. A crença que o bass embosca confunde a questão.
Os bass, para se alimentarem, movem-se para frente e para trás, de um
ponto de abrigo a outro ponto de abrigo, parando brevemente e movendo-se
novamente. Pensar nas ocasiões em que você ancorou o barco, pegou alguns,
depois nenhum, mais tarde mais uns poucos, etc. A idéia de que os bass
moveram-se para dentro e para fora é uma explicação mais lógica do que
aquela em que eles permaneceram no lugar e ficaram ora ativos ora inativos.
9. O bass usa somente
suas linhas laterais para se alimentar no escuro? Esta idéia é uma conclusão
errada extraída do estudo de Miller Janzow. Mas ela foi repetida até que
ganhou o status de mito. O estudo, na verdade, provou que os bass eram
ineficazes se usassem somente suas linhas laterais. Podem fazer isso,
mas não é fácil. No tanque do teste, bass juvenis vendados, encurralaram
os alevinos nos cantos do tanque quadrado, onde as presas se agitavam
vigorosamente. Ainda assim, os bass vendados perderam muito tempo antes
que conseguissem colocar as presas em suas bocas. Presas também têm linhas
laterais. Na água aberta, as presas sentiriam ou veriam os bass se aproximando
e fugiriam. Os olhos do bass vêem adequadamente na penumbra. Eles miram
visualmente à noite. A linha lateral é apenas uma ajuda para chegar suficientemente
perto e ver os alvos.
10. A vegetação aquática
provê sombra fresca? A vegetação aquática provê sombra, é verdade, mas
não é particularmente fresca. A vegetação aquática coleta o calor do sol
da mesma maneira que uma superfície escura coleta calor. As plantas têm
cor verde porque a clorofila delas absorve a maioria dos raios mais quentes,
vermelhos e alaranjados, da luz. Este calor é então transferido para a
água em torno da vegetação aquática. A menos que as correntes levem embora
o calor acumulado, a água sob vegetação aquática em locais rasos é, freqüentemente,
vários graus mais quente do que a água em profundidades similares distantes
da vegetação aquática. Além disso, o valor da sombra subaquática é exagerado.
As partes quentes dos raios do sol são absorvidas nas poucas polegadas
da superfície da água. O bass a alguns pés abaixo sente menos o aquecimento
do sol do que você pode sentir em uma piscina de natação transparente.
A água turva absorve mais rapidamente o calor do sol do que a água transparente
e 90% do calor do sol desaparece abaixo de 3 pés de água pura (45% nos
primeiros 1,5 pés).
11. A pesca do bass
em reservatório declina inevitavelmente? Sim e não. As super populações
de bass criadas quando os reservatórios são novos (ou reenchidos) declinam
inevitavelmente a um nível mais baixo porque as outras espécies reivindicam
uma parte da comida e do habitat. Mas o declínio até um pesqueiro de bass
arruinado não é inevitável. Lodo e habitat apodrecido diminuem a capacidade
dos reservatórios de sustentar o bass. Mas o lodo pode ser interceptado
antes que entre em reservatórios e o habitat de madeira perdido pode ser
substituído por recifes artificiais ou vegetação. A coisa mais importante
a fazer é impedir o abate excessivo de bass, antes que ele ocorra.
12. O bass fica suspenso
em águas profundas sombreadas? Não há sombra na água profunda, exceto
em cavernas. A luz solar se espalha ao penetrar na água. No fim, tem tanta
luz indo para cima e para os lados quanto está indo para baixo. O efeito
em sombras é o mesmo que de nuvens pesadas na superfície. As sombras desaparecem
quando você vai mais fundo.
13. 90% dos bass são
pegos por 10% dos pescadores? Talvez esta supersimplificação tenha sido
verdadeira um dia, quando somente poucas pessoas sabiam como pescar efetivamente
o bass. Não é verdadeira agora. Eu coletei estatísticas em vários clubes
de bass do Texas. Os 10 melhores pescadores realmente pescam muito mais
do que os outros membros e os novatos frequentemente ficam sem peixe.
Os seis melhores de um típico clube do Texas, provavelmente, capturam
entre 30 e 40% da captura total, os 10 melhores levam essa fatia para
cerca de 60%, com todos os membros restantes perfazendo 40%. 90% é um
exagero grosseiro. Daí porque o pesque-e-solte (C&R, n.t.) praticado pelos
melhores pescadores não é suficiente. Os pescadores médios que não praticam
o pesque-e-solte podem levar bass em quantidade suficiente para acabar
com um pesqueiro.
14. 90% dos bass estão
atrás dos pescadores de margens? Esta afirmação é possivelmente verdadeira
para reservatórios novos com populações de bass no limite. Os bass em
excesso são deslocados para os habitats marginais em águas profundas,
e na ausência de predadores competitivos em água aberta (open water, n.t.),
como os stripers, alguns bass, em reservatórios novos, podem permanecer
no fundo e prosperar. Eles se manterão peixes de água profunda até que
sejam pescados, mas não podem ser substituídos a menos que haja uma outra
grande safra anual para forçar outra vez a migração para o fundo. O excesso
em água profunda é raro em muitos lagos naturais, pois a vegetação aquática
e abrigos nas margens são abundantes, mas as áreas profundas são relativamente
limpas de abrigos e estruturas. Os bass, naturalmente, são criaturas de
águas rasas.
15. O bass é "caseiro"?
Sim e não. A maioria dos estudos de marcação e rastreamento mostra que
os bass tendem a permanecer em perímetros relativamente pequenos em torno
do lar, retornando frequentemente aos mesmos abrigos dia após dia. Entretanto,
como observado antes, abandonam condições inaceitáveis. Podem ir para
águas mais profundas no inverno se as águas ficarem abaixo de 40's (cerca
de 4,5º C). Eles também saem para áreas de desova, provávelmente para
os lugares onde já desovaram antes, se aquelas áreas não estiverem dentro
perímetro dos seus lares. Caso contrário, preferem permanecer nos seus
lugares pois isso conserva energia. Quando há excesso de bass, entretanto,
todas os boas "residências" ficam ocupadas. Alguns bass extras passam
a perambular . Estes peixes podem viajar longas distâncias em um sentido
ou irem para frente e para trás. Os bass que adquirem o hábito de perambular
podem continuar a perambular, mesmo que "residências" apropriadas fiquem
disponíveis.
16. Bass velho e grande
é solitário? Os bass começam como cardumes de alevinos e permanecerão
em agregações até que morram, se possível. Nós não vemos muitas agregações
de bass grandes porque na maioria dos nossos lagos não sobraram muitos
bass grandes. Eles foram capturados, comidos ou empalhados. Quando numerosos
bass grandes são localizados, estão frequentemente em grupos pequenos.
De onde vêm esses grandes bass? Os bass provavelmente não foram capturados
em pontos muito distantes uns dos outros. Para encardumar, os bass precisam
encontrar diversos outros peixes de tamanhos quase idênticos. Bass grandes
são solitários somente porque não conseguem encontrar outros de tamanho
similar. Caçadas em grupo, aproximando-se furtivamente e dando o bote,
são geralmente mais eficazes do que movimento ou condicionamento individual.
17. O bass teme e
evita cheiros humanos, particularmente L-serine? Foi demonstrado cientificamente
que o L-Serine causa uma resposta negativa em peixes salmonídeos. Eles
têm um instinto herdado para evitar o cheiro dos ursos e lobos que rapinam
pesadamente os salmonídeos em córregos rasos. Mas nenhum teste demonstrou
que o bass reage negativamente ao L-serine ou a outros odores humanos
naturais. Na verdade, o bass pode considerar os cheiros humanos como uma
combinação de saborosos aminoácidos. O bass gostou do L-serine em alguns
testes de sabor. O bass tem pouca experiência evolucionária com atacantes
mamíferos e assim não teve nenhuma razão para desenvolver nenhum instinto
de repugnância. Eles poderiam, entretanto, aprender individualmente a
temer cheiros e sabores humanos com a exposição aos pescadores durante
experiências de pesque-e-solte.
18. O sol fere seus
olhos, assim o bass precisa ficar na penumbra? Se você fosse para um lago
com água transparente hoje, você provavelmente veria algum bass cruzar
a água transparente e diretamente sob a luz solar. O bass não necessita
de pálpebras para manter seus olhos molhados, e move suas hastes e cones
dentro e fora dos pigmentos para adaptar-se aos diferentes níveis de luminosidade.
Além disso, a própria água é um bom filtro de luz, que corta níveis de
luminosidade rapidamente com a profundidade. O bass, na verdade, está
constantemente usando o equivalente a lentes de sol. O bass aparentemente
caça em áreas sombreadas e permanece na penumbra porque a penumbra o esconde
das presas, não porque a luz o fere.
19. O bass ouve a
conversa dos pescadores? O som viaja bem no ar mas cinco vezes mais intensa
e rapidamente na água. Mas, os sons gerados no ar são mal transferidos
à água. Falar não cria ruído subaquático suficiente para incomodar peixes.
Mas bater em qualquer superfície dura em contato com a água cria fortes
ruídos subaquáticos que alertam os peixes. Peixes que aprenderam a associar
os ruídos dos pescadores com perigo podem parar de comer ou fugir. Mas,
se você pescar rotineiramente com alguém que fale demais, você pode querer
manter este mito vivo.
20. O bass segue cardumes
de forrageiros por longas distâncias? O bass tem somente músculo branco
e nada relativamente devagar, como um motor elétrico em baixa velocidade.
Esta velocidade é muito mais baixa do que a dos stripers que têm músculo
vermelho, o que lhes permite nadar mais rapidamente por períodos longos.
O bass pode rodear e se alimentar perto dos cardumes de shads que rondam
em marcha lenta perto dos lares dos bass, mas o bass geralmente não irá
muito longe atrás dos shads se o shad nadar na velocidade máxima. Esta
é a manobra de escape dos cardume de shads. É mais provável que os múltiplos
ataques de superfície que são vistos quando os shads fazem longas migrações
diárias sejam feitos por vários cardumes de bass do que por um mesmo cardume
que os siga.
21. Os forrageiros
são "soprados" pelo vento para as margens? De jeito nenhum. Os forrageiros
são fortes o bastante para nadar contra as correntes fortes do rio. As
correntes causadas pelo vento são muito fracas e razoavelmente rasas.
Se os forrageiros se juntam nas margens que recebem o vento, é porque
o plâncton flutuante que não pode nadar longe, é empurrado para lá pela
corrente fraca.
22. O bass consegue
se lembrar de alguma coisa por mais do que 15 minutos aproximadamente?
Pode apostar. Eis como eles funcionam. Eles repetem comportamentos e criam
hábitos. Eles voltam para os lugares onde eles se recordam que capturaram
presas para tentar capturá-las outra vez. Eles retornam um ano mais tarde
para o local onde eles desovaram. Podem encontrar as fontes ou os santuários
em lagoas quentes a cada verão. Parece que até aprendem a evitar iscas
e cores de iscas específicas. Mas os bass somente aprendem e se lembram
das coisas de importância imediata para eles. Aparentemente não podem
aprender relacionamentos abstratos. Aprendem a comer coisas que capturam
e tenham gosto bom. Aprendem a fugir das coisas que avançam contra eles,
ou surgem perto delas de repente. Nós sabemos que isto é aprender, porque
eles podem aprender a ignorar coisas que fazem ruídos repentinos mas que
não são realmente ameaças, como pessoas nadando, andando ou martelando
em marinas.
Notas da tradução:
1. Tradução: Eduardo
K. Seto - email: eks.fish@uol.com.br - Maio/2007.
2. Vários termos
foram mantidos no original porque, de forma geral, é assim que eles são,
ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores de bass.
3. Link para original
em inglês: http://www.wmi.org/bassfish/articles/T181.htm
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