“Estrutura”, para Buck Perry
O criador do conceito revisa a verdadeira definição.
Por Bob McNally
Todo pescador sério de bass já ouviu a palavra “estrutura”.
Na verdade, o termo tornou-se uma parte tão vital na linguagem cotidiano
do pescador que é difícil conversar sobre pesca, em qualquer lugar, sem
que a palavra seja mencionada. O fato é que, hoje em dia, praticamente
todos os pescadores de todos os lugares conhecem algo sobre estrutura.
O problema está, no entanto, no fato de que o que modernos pescadores
chamam de estrutura não é estrutura – ao menos não de acordo com a definição
do homem que cunhou a palavra há 50 anos atrás.

Isto é importante porque conhecendo o que é estrutura, como identificá-la
verdadeiramente e então pescá-la efetivamente, são os mais rápidos e seguros
meios de colocar consistentemente o bass no barco.
“Há cerca de meio século atrás, quando eu comecei a usar o termo “estrutura”
na pesca, todos sabiam do que eu estava falando,” diz o lendário pescador
Buck Perry, 84 anos de idade, de Hickory, Carolina do Norte, o homem que
descobriu o “structure fishing”. “Isto porque eu expliquei detalhadamente
para eles, em palavras e mostrando na água, o que eu queria dizer com
a palavra “estrutura”. Entretanto, à medida que a palavra se espalhou
e outros começaram a usá-la, ficou aparente que quase tudo o que era visto
por esses pescadores em um corpo de água tornou-se estrutura.
“É chocante ver como a palavra estrutura foi tão distorcida desde a sua
introdução inicial. Tudo é estrutura para quase todo mundo! Pedras, tocos,
raízes, postes de cercas – tudo é, agora, incorretamente denominado estrutura.
Para iniciar a discussão, diz Buck (um professor universitário de física
aposentado), é imperativo que os pescadores entendam os conceitos básicos
do que é uma estrutura e as propriedades de uma estrutura que podem atrair
peixes.”
Estrutura é uma porção do fundo que é diferente da área adjascente, como
barras, humps (ilhas submersas, n.t.), canais de córregos, riprap (enrocamento
de barragens, n.t.), e pontas de terra submersas, de acordo com Buck.
Uma structure fishing situation consiste de uma estrutura, breaks, breaklines
e água profunda. “Breaks” são coisas no fundo da estrutura – como troncos,
pedras, vegetação subaquática, tocos cortados e arbustos. Uma “breakline”
é uma linha ou linhas ao longo do fundo da estrutura onde há um acréscimo
ou decréscimo na profundidade, seja súbito ou gradual – como a beirada
de um canal, buraco ou sarjeta. Há outras breaklines também, como uma
parede de vegetação submersa, uma linha de arbustos, onde dois corpos
de água se encontram, com diferentes temperaturas, cores ou correnteza.
Água profunda para o pescador de estrutura sério é água com profundidades
maiores que 8 ou 10 pés (2,4 ou 3,0 metros, n.t.).
É nesse ponto, de acordo com Buck, que o pescador de bass iniciante precisa
adquirir uma apropriada fixação mental de structure fishing. Buck diz
que os pescadores precisam reconhecer, desde o início, que nem todas as
estruturas aparentemente boas abrigam bass. Mas, ele explica, o bass nunca
será achado em local que não esteja relacionado a estrutura, de alguma
maneira.
Assim, um pescador que aprende a reconhecer uma estrutura, e onde e como
pescá-la em suas breaks, breaklines e próxima do santuário de água profunda,
estará muito à frente de outros pescadores que não entendem tais coisas.
Buck é enfático sobre a importância da água profunda para a estrutura.
“É preciso relembrar que água profunda é onde o bass passa a maior parte
do seu tempo porque é um santuário contra mudanças nas condições do tempo
e da água. Assim, para que uma estrutura, break ou breakline seja consistentemente
produtiva para bass maduro, ela precisa estar muito próxima de água profunda,
ou pelo menos, da água mais profunda na área que está sendo pescada. Você
não pode ter cardumes de bass grandes se a estrutura, breaks ou breaklines
não estão conectadas de alguma maneira à água profunda.
Os pescadores sábios aceitam o fato de que a única saída que um bass tem
para uma mudança hostil do ambiente é água profunda. Quanto mais velho
e maior fica um bass, mais relutante ele se torna para aventurar-se muito
longe da água profunda. Como um exemplo da importância da água profunda
para um peixe grande, pense como um bass maduro, fisgado em água rasa,
quase sempre tenta ir para água aberta e profunda durante os estágios
iniciais da luta. Isto porque o peixe fisgado está tentando refugiar-se
de volta ao seu lar – o santuário de água profunda. É de se admirar, então,
que a maioria dos basses pegos por um pescador “fiel” à margem sejam pequenos?
Peixes em “santuários” frequentemente estão tão fundos, ou em tal estado
de dormência ou mal humor, que eles são quase impossíveis de serem pegos.
Esta é a hora de usar iscas vivas, observa Buck, que é bem conhecido entre
amigos próximos como o mais mortal pescador que algum dia arremessou um
shiner vivo em um profundo buraco de bass.
“Mas como Pescadores, o que nos salva de precisar pescar bass dormentes
em águas muito fundas, é que os peixes não ficam em águas muito fundas
ou dormentes todo o tempo,” continua Buck. “Uma ou duas vezes por dia,
eles ficam ativos e podem mover em direção às águas rasas. Mais ainda,
os bass não se movem ou migram em direção às águas rasas de maneira aleatória.
Eles usam características do fundo como “placas de sinalização” em suas
migrações. Eu as chamo de “structure situations”.
“Onde os basses saem da água profunda, quão longe eles migram em direção
às águas rasas, e quanto tempo eles lá permanecem, tudo isso é dependente
das condições do tempo e da água no momento da atividade.”
“Em regra, um pescador de água rasa deveria planejar melhor como até os
peixes, na medida em que que, na maior parte do tempo, eles não migrarão
ao longo da estrutura para ele. Ele deveria ter em mente que a ‘casa’
dos basses fica em algum lugar profundo ou mais profundo na área pescada;
e as condições do tempo e da água raramente são favoráveis às migrações
para águas rasas. Isto significa que um pescador não deveria usar características
da água rasa para determinar se uma área é potencialmente boa para pescar.
Ao invés disso, sua chave para avaliar o potencial de uma área ou estrutura
deveria ser a disponibilidade de água profunda, ou a falta dela.”
Buck diz que quanto mais profunda a água, melhor o potencial da estrutura.
Espera-se que um santuário de bass esteja abaixo de 20 pés (6,0 metros,
n.t.) – se disponível. Mais ainda, um pescador conhecedor sabe que a profundidade
média de onde um cardume de basses grandes partiu para águas rasas, ao
longo de uma estrutura, é de 30 a 35 pés (9,0 a 10,5 metros, n.t.) – se
tais profundidades de santuário estiverem disponíveis, e elas normalmente
estão em muitos reservatórios e grandes lagos naturais e rios.
Lembre-se, os basses precisam ter uma rota visível de breaks e breaklines
em uma estrutura ao longo de toda a trajetória, da água profunda às águas
rasas, que onde é onde a maior parte da comida está disponível para um
predador. Quando se movem ao longo de uma estrutura, eles fazem pausas
ou paradas nas “coisas” – breaks e breaklines – que estão no fundo. É
em tais “coisas” que os pescadores podem esperar fazer contatos consistentes
com os peixes quando eles migram ao longo de uma estrutura. Esta é a razão
porque um certo tronco ou árvore submersa, pilares de embarcadouros ou
pedras submersas consistentemente produz basses para pescadores. Na maior
parte do tempo, um ponto como esse é meramente um break ou ponto de parada
dos basses em uma estrutura. Ache mais de tais breaks na estrutura, ou
breaklines, ou mesmo o santuário em água profunda perto da estrutura,
e você pegará mais e maiores basses, mais frequentemente.
Há muitas estruturas, breaks e breaklines em um corpo de água. Mas somente
algumas delas são tão bem ligadas à água profunda de modo que cardumes
de grandes basses usam-nas consistentemente. Assim, a pesquisa por uma
estrutura boa e pescável pode ser rápida, e, frequentemente, a maior parte
do trabalho pode ser feita simplesmente estudando mapas topográficos acurados
da água.
A maioria dos pescadores de bass sabe que os peixes gostam de vegetação
subaquática, e grandes capturas de largemouths são comumente feitas em
vegetação. Isso pode parecer contraditório com vários dos princípios de
structure fishing enunciados por Buck, mas não eles não são. Na verdade,
muitas das melhores estruturas em um lago ou rio, de acordo com Buck,
terão grandes e férteis áreas de vegetação subaquática que abrigarão uma
abundância de alevinos, crustáceos e outras forragens de bass. Mas uma
área de vegetação subaquática distante da água profunda, e sem uma “estrutura”
ligando as duas, não será tão produtiva quanto uma área de vegetação subaquática
em uma estrutura que tenha breaks e breklines perto da água mais profunda
na área.
“A beirada da vegetação, ou weedline, poderia ser considerada um ponto
de parada para os basses na estrutura – se os peixes migrarem para aquela
água rasa em um período particular,” explica Buck. “Mas independentemente
do quão profundo a vegetação subaquática avance, nem todos os basses movem
para dentro da vegetação. Onde não há melhor profundidade para santuário
fora da vegetação, os basses podem passar maior tempo em vegetação em
algumas águas. Mas nem todos os basses se movem para dentro da vegetação
quanto eles ficam ativos e comem. Na verdade, basses no “lado de fora”
da beirada da vegetação são aqueles mais fáceis de pegar, para mim.”
Buck pode checar rapidamente uma weedline e saber se os basses estão ativos
e comendo. Se eles não estiverem ativos, Buck sabe que os basses estão
mais fundo na estrutura. Por sorte, ele sabe onde procurar os peixes em
locais mais fundos na estrutura – breaks e breaklines.
Onde a structure fishing torna-se uma ciência exata é na maneira como
as iscas de profundidade são apresentadas, elas precisam ser pescadas
da maneira mais precisa. Basses em água rasa em uma estrutura são agressivos.
Assim, um pescador consegue sobreviver com apresentações de iscas relativamente
malfeitas, e ainda se dar bem. Os peixes em águas mais profundas, entretanto,
não estão tão ativos, e estão mais encardumados. Assim, as iscas precisam
ser trabalhadas nos locais precisos, exatamente do modo certo, para provocar
ataques.
E água profunda, Buck insiste que as iscas precisam vir em contato com
o fundo para serem mais mortais. Seu famoso “Spoonplug” é projetado para
nadar a profundidades exatas e bater no fundo, não importando quão rapidamente
ele sejam recolhido. Mas qualquer crankbait, spoon, jig ou minhoca plástica
que toque o fundo pode ser igualmente efetivo. A velocidade com que a
isca é recolhida é de importância vital para provocar um ataque dos basses
– especialmente daqueles basses, geralmente passivos, que permanecem em
água profunda. Em água gelada, transparente e profunda, recolhimentos
lentos, batendo no fundo, geralmente produzem a maioria dos basses em
estrutura. Em água morna, não turva, quando as condições de tempo são
favoráveis (temperatura estável, levemente nublado), recolhimentos mais
rápidos com iscas que mantenham contato com o fundo funcionam bem. Mas
Buck acrescenta que as diretrizes acima para velocidade da isca são meramente
o que são – diretrizes.
“Nunca assuma nada como garantido,” declara Buck. “Nunca assuma que os
basses estão em água rasa, porque eles podem estar no fundo. Nunca acredite
que eles atacarão uma isca recolhida rapidamente, e uma recolhida lentamente.
Você tem que trabalhar uma estrutura inteira – do raso ao fundo – com
iscas que toquem o fundo [mas não abram trincheiras nele], e a diferentes
velocidades, para se certificar que o lugar foi completamente checado.
Se nenhum peixe for achado, mova para a próxima estrutura candidata e
repita o processo. Ao checar duas ou mais estruturas desta maneira, ao
longo de um dia de pesca, é provável que um pescador, mais cedo ou mais
tarde, acertará um cardume de basses ativos e comendo. Quando isto acontece,
você pode completar seu limite rapidamente, e você precisa trabalhar rapidamente,
porque um cardume não permanecerá num break ou breakline por muito tempo.
“Você precisa pegá-los enquanto eles estão lá – porque, com certeza, você
não pode pegá-los onde eles não estão. Se a ação diminui, mova-se mais
para o fundo, ou mais raso, porque o cardume pode ter se movido um pouco
na estrutura. Algumas vezes eles se assustam um pouco, e acelerando o
recolhimento da isca, ou desacelerando, você pode novamente começar a
capturar basses, arremesso após arremesso.
Buck demonstrou o seu sistema de structure fishing mihares de vezes a
milhares de pescadores através de toda a América. Uma vez ele encontrou
um escritor cético no reservatório Clark Hill, na Geórgia. Buck achou
basses em uma estrutura e pegou 33 largemouths com 33 arremessos consecutivos.
Todos os peixes pesaram 3 a 5 libras (1,35 a 2,25 kg, n.t.) – uma pescaria
muito boa, por qualquer critério – e toda a prova que o escritor cético
precisava para mudar suas opiniões sobre structure fishing e as habilidades
de Buck Perry.
Notas:
1. Tradução: Eduardo K. Seto – email: eks.fish@uol.com.br
- Outubro/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de forma geral, é
assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores
de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.boats.com/news-reviews/article/buck-perry-on-structure
4. Site oficial de Buck Perry, para consultar toda a tralha utilizada
pelo autor: http://www.buckperry.com/
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