Um tributo a Buck Perry
O mundo da pesca do bass perdeu o “Pai do Structure Fishing” (Pesca em
Estrutura, n.t.), mas felizmente, não os seus ensinamentos...
Por Tim Tucker
BASSMASTER Magazine, Novembro de 2005
Quando Elwood (Buck) Perry morreu, em 12 de agosto de 2005, em sua casa
em Taylorsville, N.C., aos 90 anos de idade, a pesca do bass perdeu um
dos seus pioneiros e mais influentes professores. Mas os seus ensinamentos
estão vivos, tanto nas memórias dos suficientemente velhos para se lembrarem
de suas proezas inovadoras e como nas de uma surpreendente geração de
jovens pescadores que ainda considera suas teorias um evangelho.
Buck Perry é um daqueles nomes que a maioria dos fãs da pesca terá que
procurar fundo em suas memórias para se lembrar. Velhos pescadores conhecem
Perry por suas memoráveis pescarias e revolucionárias técnicas para água
profunda. Na realidade, ele é reconhecido como o Pai do Structure Fishing.
Antes do advento dos sonares (depthfinders, n.t.), o professor de física
e matemática colegial usou mapas hidrográficos para achar as características
subaquáticas que o bass usava em seus movimentos através do lago ou rio
– e refinou táticas de corrico para tirar vantagem delas.
Um dos mais jovens pescadores que ainda segue os ensinamentos de Perry
é Bradley Stringer, 31 anos de idade, vencedor do 2004 CITGO Bassmaster
Open Championship e um participante do 2005 CITGO Bassmaster Classic.
Para o profissional do Texas, Perry foi um mentor com quem ele se correspondeu
por mais de 20 após sua mãe, Alice, uma pescadora de torneios nos anos
70 e 80, apresentou-os. “Ele era um grande homem,” diz Stringer. “Eu o
conheci quando tinha 7 anos de idade. Eu recebi todo tipo de anotações
e cartas dele. Eu recebi quadros de fotografias dele com carrinhos de
mão cheios de basses de 7 e 8 libras (3,5 e 4 kg, n.t.). E recebi desenhos
que ele mandou para minha mãe no início dos anos 80, quando ela teve muitos
torneios na Florida.”
“Nos últimos anos, eu me comuniquei com ele através de e-mails. Estudei
sua filosofia por anos, e é nela que baseei minha carreira no que se refere
a localizar peixes. Seus livros me ensinaram a pescar de acordo com os
comportamentos-padrão (pattern, n.t.) dos peixes. Eles me ensinaram o
que procurar. Os ensinamentos do Sr. Perry lhe contam como certas situações
se repetem. Com estas lições, você sabe que se você sair em Janeiro de
cada ano, você pode usar o comportamento padrão dos peixes exatamente
da mesma forma com a mesma isca, repetidamente. É o que fui capaz de fazer
no rio Ouachita (local do Open Championship).”
Stringer é um dos milhares de desconhecidos que seguiram a sabedoria de
Perry durante os últimos 60 anos.
No final dos anos 40, Perry decidiu dedicar sua vida para educar pescadores
usando as técnicas e conhecimento do comportamento dos peixes que ele
havia aprendido em 16 anos de estudos intensos. Suas técnicas era radicalmente
diferentes daquelas em voga naquela época e os descrentes rapidamente
passaram a zombar.
Perry viajou através do país divulgando o seu produtivo sistema de pesca
chamado spoonplugging e converteu muitos descrentes.
A rotina normalmente era a seguinte: ele chegava a uma cidade, descobria
qual dos lagos locais recebia a maior pressão e planejava uma pescaria
com o escritor local de atividades ao ar livre (outdoor writer, n.t.)
ou o dono da loja de artigos para pesca. E ele tinha uma taxa surpreendente
de sucesso quando ele acabava produzindo fieiras muito maiores do que
os locais pensavam ser possível produzir dos seus assim chamados lagos
sem-peixe.
Em 1957, as façanhas de Perry chamaram a atenção do Sports Illustrated,
que divulgou uma viagem que ele fez a Chicago. Perry pescou no lago Fox,
“um corpo de água tão super-pescado que foi considerado virtualmente estéril
nos últimos 25 anos,” segundo a revista. Em menos de meio dia de pesca,
Perry e um comerciante local de material de pesca pegaram 16 largemouth
basses na faixa de 3 a 5 libras (1,5 a 2,5 kg, n.t.) e um northern pike
de 13 libras e meia.
Seu sucesso ao longo dos anos decorreu de um fator – seu entendimento
dos hábitos e habitats do bass. Perry criou muito do jargão dos modernos
pescadores de bass: termos como breaklines, rotas de migração, estrutura,
abrigo (cover, n.t.), santuário, pontos de contato e humps (corcovas,
n.t.). Ele foi provavelmente o primeiro pescador a aplicar conhecimento
científico ao esporte, usando um cérebro de professor de física para desenvolver
mapas dos contornos do fundo e então mapear o itinerário anual do estilo
de vida dos basses.
O impacto de Perry e de seus ensinamentos persistiram neste esporte como
nada antes dele.
“Evidentemente, ele foi o pai do structure fishing,” exalta Roland Martin,
o maior vencedor de torneios de BASS em todos os tempos. “Quando comecei
a tentar decifrar o que era estrutura, ele tornou-a clara para mim. Em
1957 ou 58, quando recebemos nosso primeiro sonar, o pequeno Green Box,
tudo o que Buck Perry esteve falando sobre suas técnicas para pescar em
estruturas se encaixou. Simplesmente passou a fazer todo o sentido no
mundo.”
“Buck Perry mostrou o caminho; não há dúvida sobre isso. Ele definiu tudo.
Foi uma revelação completa quando ele abriu aquela porta. Aquela porta
era todo o fundo do lago.”
O fundador do BASS, Ray Scott, concorda: “Eu certamente penso que ele
foi um marco ao tornar público o que antes era um segredo conhecido por
muito pouca gente. Muito pouca gente sabia sobre structure fishing. Sempre
foi bater na margem, bater nos tocos cortados, arremessar no tronco. Muito
pouca gente em sua época estava lá fora, pesquisando os peixes nas áreas
de águas abertas. Muito pouca gente pescava daquele jeito.
“Certamente ele estava no degrau superior daquela inovação. Ele também
foi sábio e queria compartilhá-la.”
Eu tive a grande sorte de passar um dia com este verdadeiro pioneiro na
sede da sua Buck’s Baits, em Hickory, em 1990. Foi fascinante sentar-se
aos pés deste mestre das águas profundas.
“Você precisa aceitar o fato de que a água profunda é o lar do bass,”
ele me contou. “Esta é sua única saída para uma mudança em seu ambiente.”
Paralelamente ao structure fishing, Perry ajudou a ensinar pescadores
o valor do comportamento-padrão do bass e o entendimento dos seus hábitos
sazonais.
“Água profunda é a única saída que ele tem. Quanto mais fundo ele vai,
mais estável se torna o seu ambiente. Ele é um animal de sangue frio,
mas ele pode se ajustar a quase tudo – quaisquer mudanças em comida, oxigênio,
temperatura, pH, todos os tipos de coisas. Eu posso achar o peixe, não
importa quais ajustes ele faz, com o modo como eu apresento minha isca,
ajustando a profundidade e a velocidade da minha isca. Eu uso as características
do fundo como um guia para saber onde o peixe pode estar. Pura e simplesmente.
Então, para lidar com o humor do peixe ou o modo como ele se sente num
dia em particular (agressivo ou inativo), eu ajusto a profundidade e velocidade
da minha isca.”
Perry sempre afirmou que o bass passa 90 por cento de sua vida em água
profunda (que ele considerava com 8 pés (2,4 metros, n.t.) ou mais de
profundidade), movendo para o raso somente para se alimentar, durante
breves períodos de atividade durante o dia.
Foi esta sabedoria que levou Perry à consagração no Freshwater Fishing
Hall of Fame e a ser escolhido pela revista In-Fisherman, em 2000, como
um dos 25 mais influentes pescadores do país. Afortunadamente para as
mais jovens gerações de entusiastas do bass, seus ensinamentos ainda estão
disponíveis através de seus escritos, inclusive seu livro Spoonplugging:
Your Guide to Lunker Catches e uma série de nove volumes de auto estudo
(http://www.buckperry.com).
Notas:
1. Tradução: Eduardo K. Seto – email: eks.fish@uol.com.br
- Junho/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de forma geral, é
assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores
de bass.
3. Link para original em inglês: http://proxy.espn.go.com/outdoors/bassmaster/members/insider/bmmarchive/story?page=b_fea_Perry_BMM0511
4. Link para artigo, de 1995, de Bob McNally, filho do jornalista Tom
McNally, que escreveu a matéria sobre as técnicas e isca de Buck Perry:
http://www.boats.com/news-reviews/article/bucks-baits
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