"Emboscada é a palavra errada"
Por Ralph Manns
Quando os largemouth basses se alimentam ativamente, eles se movimentam.
Todos os observadores subaquáticos, pesquisadores científicos e rastreadores
eletrônicos relatam as mesmas coisas: os black-basses ficam dentro ou
perto dos abrigos (cover, n.t.) quando eles estão inativos ou descansando.
Quando eles estão comendo ativamente, eles saem do abrigo denso e, normalmente,
movem-se ao longo de beiradas (edges, n.t.)
O formato fino, muscular e hidrodinâmico do bass é mais apropriado para
dar pequenas arrancadas atrás da presa. Ele é menos bem projetado para
emboscar presas ficando escondido e camuflado dentro do abrigo. Os peixes
que rotineiramente vivem de emboscada normalmente têm várias características
em comum. Eles são corpulentos, camuflados, ficam encostados no fundo
e se deslocam apenas algumas polegadas quando atacam. Mais ainda, peixes
que emboscam normalmente possuem bocas e cabeças grandes, corpos relativamente
pequenos e poucos músculos porque eles se movem pouco e freqüentemente
precisam esperar muitos dias entre as refeições. Sculpin, rockfish, halibut
e linguado são típicos predadores de emboscada.
Experimentos nas quais os basses puderam se alimentar dentro ou fora do
abrigo mostram que os basses forçados a viver dentro de abrigos densos
são incapazes de perseguir presas e são forçados a usar táticas de emboscada.
Estes basses capturam poucas presas, crescem lentamente e até podem morrer
de fome se não houver presas em abundância. Embora eles embosquem presas,
emboscada é uma tática ineficiente para o bass.
Se puderem, os basses saem dos abrigos para caçar individualmente ou em
pequenos cardumes ao longo das beiradas de abrigos densos. Eles surpreendem
presas individuais e dispersam cardumes de presas. Presas que se movimentam
de modo errado ou se aproximam demais de um bass são comidas. Doug Hannon,
o expert de bass grande, chama esta tática de “flushing” (descarga, n.t.).
A tática é apropriada para a habilidade dos basses em nadar lentamente
e então acelerar rapidamente para atacar a presa vulnerável, poucos passos
adiante.
Quando não há superabundância de presas, os basses caçadores encontram
e têm chances de capturar muito mais presas que os basses de emboscada.
Estudos mostram que os basses que se alimentam ao longo das beiradas de
abrigos densos capturam comida suficiente para crescer e se manterem saudáveis.
Os basses normalmente entram e se escondem em abrigos somente para se
protegerem. Eles freqüentemente ficam suspensos, caçam e descansam em
locais abertos perto do abrigo.
Mergulhadores, eu inclusive, observaram basses imóveis dentro de abrigos
e aparentemente adormecidos. Estes peixes não se alimentavam, mesmo que
presas de tamanho adequado estivessem a polegadas de suas bocas. Esses
basses inativos também recusaram iscas apresentadas a polegadas de seus
narizes e eram quase impossíveis de serem capturados, a menos que algo
os despertasse de seus torpores antes que a isca passassem por eles. Rastreadores
eletrônicos freqüentemente relatam que os basses que permanecem por longos
períodos no mesmo lugar não são usualmente capturáveis.
Em contraste, os basses que ficam perto das beiradas de abrigos e se movem
para frente e para trás eram ocasionalmente atraídos por iscas que eram
colocadas por perto. Eles eram também mais facilmente despertados para
um estado ativo por repetidos arremessos. Esses basses estão normalmente
em estado neutro ou semi-ativo. Basses em estado neutro tendem a ficar
perto de outros basses, mas não sincronizam seus movimentos ou ficam muito
juntos. Cientistas preferem chamar tais grupos de “agregações” ao invés
de cardumes. Os forrageiros freqüentemente ficam flutuando por perto,
mas ficam a pelo menos 3 pés (90 cm, n.t.) de distância e se mantém constantemente
alertas. Os basses neutros atacarão a presa que cometer o erro de se aproximar
demais e freqüentemente ficam se movendo ao invés de permanecer num único
lugar. Rastreadores eletrônicos freqüentemente relatam estes passeios
curtos, mas os pescadores descobrem que somente arremessos precisamente
colocados interessam a tais peixes.
Quando os basses querem se alimentar ativamente, eles formam cardumes
com outros basses de tamanhos similares e saem nadando juntos. Eles saem
à caça ao longo das beiradas dos abrigos (em água aberta se houver muitos
basses e a forragem for abundante) para capturar (flush, n.t.) presas.
Estes são peixes ativos e capturáveis se os pescadores puderem localizá-los,
prever em que direção se movimentarão e colocarem as iscas na frente deles.
Os forrageiros próximos sabem quando os basses estão se preparando para
comer e imediatamente vão para bem longe deles. Os basses se movimentam
à procura de presas que não tenham visto que eles estavam chegando.
A idéia de que os bass se alimentam emboscando presas aparentemente resultou
de algumas observações e pressuposições falsas. Os basses ficam inativos
ou neutros a maior parte do tempo. Enquanto inativos, eles freqüentemente
descansam dentro de abrigos densos. Se eles não estiverem fazendo a digestão,
adormecidos demais, e totalmente imóveis, iscas lançadas na frente de
seus narizes podem ser engolidas. Eles também podem acordar se forem despertados
por arremessos repetidos. Assim, muitos basses são capturados em abrigos
onde a emboscada é a tática mais adequada. Além disso, basses em movimento
ainda podem parar periodicamente em lugares onde o abrigo ou estrutura
acaba, começa, se curva, ou muda. Pode parecer que os basses capturados
nesses lugares emboscaram iscas ou presas, mas os basses, na realidade,
não estavam se escondendo lá.
Os basses normalmente não se movem numa única direção. Grandes basses
monitorados pelo rastreador texano, John Hope, moveram-se quase que constantemente
quando ativos, mas eles patrulharam para frente e para trás ao longo das
beiradas de abrigos ou estruturas submersas (break-lines, n.t.). Os pescadores
que “se plantam” em beiradas, curvas, e pontas de vegetação aquática ou
outros abrigos durante períodos de alimentação podem encontrar vários
cardumes de basses de passagem ou fazer contato com o mesmo cardume várias
vezes à medida que ele passa para frente e para trás. Isso pode criar
uma ilusão de que os basses à procura de comida não estão se movendo.
Os basses ativos também se movem ao longo de beiradas de abrigos que os
pescadores não podem ver. Muitas vezes, existem trilhas razoavelmente
livres dentro de vegetações aquáticas densas e arbustos aparentemente
impenetráveis. É difícil para os pescadores dizerem qual a diferença entre
um bass que foi capturado enquanto estava dentro, ou sob um arbusto, para
“emboscar” presas e um outro que estava se movendo para frente e para
trás à mesma profundidade sob um grupo de arbustos.
Os basses realmente inativos tendem a dormir sozinhos. Quando pescadores
de bass pegam vários peixes em passadas consecutivas pelo mesmo arbusto,
é mais provável que eles tenham achado um ponto em que os peixes estão
de passagem do que descansando. Peixes inativos raramente se encardumam,
não atacam de imediato, e não se movem tão depressa para substituírem
os basses que tenham sido capturados momentos antes.
A crença de que o bass “embosca” suas presas aparentemente foi incorporada
às lendas da pesca do bass porque muitos escritores preferem usar palavras
agressivas e carregadas de ação. A imagem de um bass escondido atrás de
uma pedra para “emboscar” presas distraídas faz o bass parecer destrutivo,
como um filme de bang-bang, e assim um oponente mais valoroso. Táticas
do tipo “chasing” ou “flushing” simplesmente não fazem o bass parecer
tão durão e excitante. Mas “emboscada” é a palavra errada para descrever
como os bass se alimentam normalmente. Os basses emboscam se a oportunidade
se apresentar, mas esta não é a tática preferida deles.
Para capturar mais basses, os pescadores precisam conhecer realmente como
os basses se comportam. Os basses que estão comendo ativamente se movimentam
em pequenos grupos. Eles normalmente não se escondem dentro de abrigos
tão densos que bloqueiem suas visões e/ou atrapalhem ataques. Abrigo é
abrigo para forrageiro. O forrageiro se esconde dentro dele para escapar
dos basses. Os basses usam o abrigo pela mesma razão. Eles se movem para
dentro deles para descansar sem serem perturbados por ameaças maiores,
como bagres amarelos e pescadores, não para comer. Os basses são mais
freqüentemente capturados ao longo de beiradas de abrigos porque as presas
se juntam lá e são mais facilmente capturados (flushed, n.t.) lá.
Para se alimentar efetiva e frequentemente, os basses saem dos abrigos
densos para procurar, surpreender ou capturar presas ao longo das beiradas
de abrigos em lagos e represas. A maioria dos donos de lagos poderão ver
e confirmar este fato por si mesmos se eles se sentarem na beira do lago,
como faço quase todo dia, e observarem os basses com lentes Polaroid.
Notas:
1. Tradução: Eduardo K. Seto – email: eks.fish@uol.com.br - Maio/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de forma geral, é
assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores
de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.bassresource.com/fish_biology/ambush_bass.html
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