Pescando
bass em canal de córrego
Jim Porter
(Nota do autor: Este artigo aborda somente canais submersos de reservatórios
artificiais. Há inúmeros outros fatores que teríamos que explorar se
tratássemos também de águas naturais e o espaço aqui não seria suficiente.)
Durante a Primavera e o início do Verão, a maioria dos
pescadores captura seus basses em cover (abrigo, n.t.) de áreas rasas,
tais como capim, áreas de tocos cortados e arbustos. O restante do ano
eles choram os bassin' blues porque "os peixes simplesmente não estão
mordendo". Às vezes está quente demais, frio demais, brilhante demais,
chuvas demais, água baixa, água alta, e assim por diante. Tendo sido,
algum dia, novatos do esporte, nós todos nos lembramos quando as nossas
pescarias de bass, geralmente, eram como aquelas. E a razão, como mencionado,
é que nós não sabíamos como pescar se não fosse perto de cover (abrigo,
n.t.) visível e em local raso.
Agora, estamos um pouco mais instruídos. Aprendemos sobre
estrutura e todas as maravilhosas capturas que ela pode produzir entre
os picos de pesca de Primavera. Não temos nenhuma dúvida sobre isso,
estrutura é uma boa escolha; mas ela pode ser ainda melhor. Tudo o que
precisamos fazer é determinar qual estrutura tem a mais alta probabilidade
de produzir bass, dia sim, dia não. Se você nunca fez seriamente uma
análise detalhada sobre estrutura, deixe-me fazer uma pergunta: Relembre
todos os detalhes das cinco melhores pescarias em reservatórios que
você fez, fora do período da Primavera e possivelmente de cardumes de
bass na superfície. Eu apostarei o meu melhor crankbait que quatro das
cinco pescarias foram em estruturas relacionadas de algum modo a um
canal de rio ou córrego. Nenhuma dúvida sobre isto.
Se você não estava diretamente sobre a beirada do canal,
você estava razoavelmente perto de uma. A questão a destacar é que,
embora qualquer estrutura off-shore (longe das margens, n.t.) possa
atrair alguns basses num dado momento, aquelas que fazem isto de uma
maneira contínua e previsível são quase sempre diretamente influenciadas
por um canal de algum tipo.
Duas razões muito específicas explicam isto.
Primeiro, nós todos entendemos a relação de uma linha
de quebra (break-line, n.t.) em água profunda e o instinto natural dos
basses para uma rápida retirada em caso de perigo. Embora elas passem
a maior parte do tempo em 8-15 pés (2,4-4,5 metros, n.t.) de água, Mama
Bass (bass fêmea, n.t.) gosta de ter água profunda à mão. A segunda
razão é a correnteza que flui dentro do canal e seus efeitos de longo
alcance. Seja causada por um fluxo natural de água ou simplesmente por
movimentos induzidos pelos ventos, água em movimento previne estratificações
por temperatura e nível de oxigênio, reduz temperaturas, aumenta níveis
de oxigênio, previne estagnação e traz comida em sua esteira.
Todos estes fatores são facilmente reconhecíveis e apontam
claramente porque um canal tem tal influência no estilo de vida dos
basses. Dos dois principais canais mencionados (de rio e de córrego),
somente o canal de córrego tem a capacidade de suportar o bass ao longo
do ano todo. O canal de rio normalmente tem uma correnteza contínua,
que o bass de Inverno evita fortemente. Mais, a maioria das áreas rasas
adjacentes ao canal principal normalmente não são áreas de desova prioritárias.
O canal de córrego, por outro lado, provê tudo o que os basses requerem,
além de dar-lhes uma "auto-estrada" para as áreas rasas de desova, prateleiras
de comida e abrigo.
A correnteza, também, não é, normalmente, tão forte nem
tão consistente quanto à do rio principal. Se você for um pescador com
razoável experiência, o que apresentamos não foi, possivelmente, algo
que chame a atenção para o papel dominante do canal de córrego na moderna
pesca do bass. Entretanto, muitos leitores são novatos, possuem menos
experiência ou simplesmente nunca deram muita importância para o assunto.
Para estas pessoas, este reconhecimento pode permitir-lhes ganhar anos
de conhecimento e entendimento adicionais durante uma única estação
do ano.
Todos os canais de córrego têm um traço em comum - eles
nunca são retos! Haverá algumas retas em que a direção tem pouco desvio,
mas canais de córregos, por natureza, são sinuosos e marcados por curvas.
Seus traçados são formados pela e guardam relação com a topografia circundante.
Na maioria dos casos, uma margem é ligeiramente mais elevada do que
a outra. (Isto é quase sempre verdade numa curva fechada, onde a margem
externa é mais alta e, assim, controla a direção do fluxo.) Esta diferença
na altura entre lados das beiradas do canal pode ser significativa,
no sentido de que o lado mais alto, normalmente, tinha o solo mais duro
(possivelmente de pedra), era mais íngreme (uma característica desejável
para a pesca do bass) e, provavelmente, tinha as maiores árvores (que
resultaram, hoje, em áreas de troncos cortados).
São exatamente as razões pelas quais o lado externo de
uma curva de canal é sempre o mais produtivo. Uma outra é que os basses,
dadas duas características de estruturas similares e adjacentes, sempre
escolherão a que tiver pedra e freqüentemente escolherão a mais alta
das duas. Possivelmente isto tenha a ver com controle e vigilância da
área circundante. O contrário é verdadeiro no Inverno. Um bass de sangue
frio estará muito enrijecido e letárgico durante os meses gelados, tornando
a alimentação difícil. Ele tenta se manter o mais estável e imóvel possível,
de modo a conservar energia. Estendendo o raciocínio, o bass evita,
ao máximo, água corrente durante os períodos gelados, pois ele teria
que consumir energia valiosa para se manter em sua posição. Conseqüentemente,
o lado INTERNO de uma curva de canal, ou a margem mais baixa, é menos
influenciada por qualquer corrente presente e é onde ele fixará residência.
Estes locais de Inverno têm um outro requisito específico,
um que não vem facilmente. O cardume de basses de Inverno precisa de
uma estrutura com característica significativa, embora não necessariamente
grande, que possa ser usada como um ponto de referência. Isto não é
muito comum no lado baixo do canal e, quando encontrados (por exemplo,
pilha de pedras, ilha submersa isolada), são freqüentemente um dos lendários
"honey-holes". Quaisquer variedades de iscas funcionarão em canais de
córrego.
O pescador precisa apenas aplicar uma abordagem de bom
senso ao selecionar a isca adequada para a profundidade a ser pescada
e considerar a velocidade (uma função das condições da água fria ou
morna) requerida. Como em qualquer outra abordagem, sempre comece com
um crankbait para capturar os peixes mais ativos rapidamente. Então
mude para minhoca ou jig-and-pig (jig com trailer de couro de porco,
n.t.).
Possivelmente, a questão mais crítica para pescar um canal
de córrego seja a acurácia da apresentação da isca, que é dificultada
pelo fato da estrutura não ser visível. Interpretar a tela do sonar,
controlar o barco e fazer uso adequado dos marcadores flutuantes, tornam-se
críticos para manter a isca na zona produtiva, o máximo de tempo possível.
De longe, a melhor técnica de controle do barco é manter o barco diretamente
sobre a beirada do breakline. É o único ponto real de referência que
é preciso e bem definido. Da mesma forma, ao usar bóias de marcação,
nunca as solte diretamente no alvo a ser pescado, nem perto da trajetória
da isca. As bóias servem apenas como referências e, se você colocar
todas elas a 20 pés (6,0 metros, n.t.) a Leste do traçado do canal,
você terá a estrutura bem marcada, sem medo de assustar os basses e
nem enroscar a isca.
Os canais de córrego fornecem a chave para o sucesso na
pesca do bass, o ano inteiro. Entenda-os e aprenda os movimentos sazonais
e hábitos relacionados com as características do canal e você se tornará
um pescador mais efetivo.
Notas da tradução:
1. Tradução: Eduardo K. Seto - email: eks.fish@uol.com.br
- Dez/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de
forma geral, é assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados
pelos pescadores de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.jimporter.org/articles/article45.shtml