Regulamentações para a Qualidade da
Água funcionam, mas para o Bem?
Por Craig Springer
O velho ditado – “cuidado com o que você pede” – vem
à memória. Você pode receber o que você pedir e descobrir que você não
quer aquilo. Isto poderia ser dito sobre as regulamentações para a qualidade
da água colocadas em prática perto de Atlanta, Geórgia.
As regulamentações objetivavam eliminar fontes pontuais e não-pontuais
de poluição e melhorar a qualidade da água mas acabaram prejudicando a
pesca de largemouth basses. Um estudo feito por cientistas da Auburn University
aponta as evidências.
O estado da Georgia estabeleceu em lei que o total de fósforo oriundo
da área metropolitana de Atlanta para o reservatório West Point deveria
ser reduzido. A lei foi bem sucedida; as concentrações totais de fósforo
lançadas no reservatório declinaram. Entretanto, à medida que os totais
de fósforo declinaram, declinou também a quantidade de clorofila – um
indicador da fertilidade da água.
Quando as regulamentações começaram a ser implantadas em 1988, o índice
de clorofila era superior a 40 gramas/litro. Em 1999, o índice caiu para
9 gramas/litro, o que era bem abaixo do objetivo pretendido de 27 gramas/litro.
Esta queda de 75% no índice de clorofila teve implicações. A água realmente
estava mais limpa e as populações de black basses reagiram.
Os lagos envelhecem com o tempo, indo de águas pobres em nutrientes –
águas oligotróficas – para ricas em nutrientes – águas eutróficas, e é
um processo que normalmente demora décadas, senão séculos. O reservatório
West Point fez exatamente o oposto. As regulamentações para a qualidade
da água efetivamente transformaram o reservatório de água eutrófica para
um de água oligotrófica em uma questão de anos.
O reservatório West Point possui nativamente duas espécies de black basses:
largemouth e spotted. Os pesquisadores da Auburn University monitoraram
as mudanças na composição das populações de black basses eletropescando
(electrofishing, n.t.) em 10 locais fixos do lago a cada outono, durante
um período de 10 anos. Durante esse período eles acompanharam as mudanças
na composição das espécies e nas taxas de crescimento dos black basses.
À medida que a qualidade da água melhorou, a qualidade da pesca dos largemouth
basses declinou. Largemouth basses com 4 anos ou mais cresceram progressivamente
mais devagar e ao mesmo tempo, o número de largemouths jovens que atingiam
a maturidade declinou. Uma outra medida da mudança: a quantidade de largemouths
na medida legal – 16 polegadas (cerca de 40 cm, n.t.) – capturados por
eletropesca no final do estudo foi a metade da quantidade capturada no
seu início.
Enquanto as populações de largemouth basses foram ladeira abaixo, a população
de spotted basses melhorou. Mas esta melhoria não compensou as mudanças
como um todo. Com base em dados de captura coletados com pescadores durante
o período do estudo, o peso médio dos peixes capturados decresceu. Os
dados incluiram largemouth e spotted basses. Além disso, o tempo gasto
por um pescador de bass para capturar um bass de 5 libras (cerca de 2,25
kg, n.t.) cresceu de 100 para 500 horas.
As regulamentações da Georgia realmente limparam o reservatório West Point...
mas a qualidade do pesqueiro de black basses declinou.
No final dos anos 80, a percentagem de todos os black basses com menos
de 16 polegadas de comprimento representada por spotted basses permaneceu
em torno de 15 por cento. Ao final do estudo de 10 anos, aquele valor
cresceu para aproximadamente 65 por cento. As regulamentações estatais
que objetivavam limpar o lago reestruturaram o pesqueiro de black basses:
largemouth basses em menor quantidade e menores e spotted basses em abundância,
menores e com baixo crescimento.
Os pesquisadores da Auburn University sugerem que os biólogos e administradores
da qualidade da água deveriam se comunicar com o público, considerando
os usos e necessidades públicas, antes de fixarem padrões.
Quando não está escrevendo sobre atividades ao ar livre, Craig trabalha
com comunicações para o U.S. Fish and Wildlife Service. Ele é um colunista
do Albuquerque Journal e da ESPN Outdoors e um freqüente colaborador das
revistas Flyfisher e North American Fisherman. Ele é graduado em administração
pesqueira e vida selvagem pelo Hocking College e New México State University
e possui M.Sc. em ciência pesqueira pela University of New México. Ele
é um candidato a um M.A. em retórica e escrita na University of New México.
Ele escreve semanalmente para o site sportsmanguide.com.
Notas:
1. Tradução: Eduardo K. Seto – email: eks.fish@uol.com.br
- Junho/2007.
2. Vários termos foram mantidos no original porque, de forma geral, é
assim que eles são, ou acabam sendo, conhecidos e utilizados pelos pescadores
de bass.
3. Link para original em inglês: http://www.sportsmansguide.com/article/article_read.asp?aid=150911&sid=99&htl=%2Fcolumn%2Fcolumn%5Ffeature%2Easp%3Fsid%3D99
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